—Pois decerto!

—E faz elle muito bem! Quando ellas são assim, é bem feito!

—Que grande descarada!

—Cara sem vergonha!{55}

[VI]

Natal, eu te saúdo!

Quer a tempestade ruja lá fóra com indomavel fúria ameaçando prostrar as oliveiras tristes e a chuva fustigue e amarelleça as brancas e innocentes camelias do meu jardim; quer um sol claro e resplandecente e benefico paire no firmamento alegrando a natureza durante o dia, e á noite um docél azul marchetado de meigas estrellas se desenrole por sobre a minha fronte—eu amo-te, óh! Natal!

Amo-te, quer rias como uma creança loira perseguindo uma borbolêta que saltita de flôr em flôr, quer chores como um velhinho, acabrunhado pelos annos e de dorso curvado, chorando, sobre o netinho que acaricia no regaço, lagrimas de saudade!

És bello quando ris; mas o teu sorrir é forçado porque a tua alma é triste: e a tristeza encanta-me. Por isso eu amo-te.

És meigo e terno quando choras, porque as tuas lagrimas são sinceras, são o desabafo de mil amarguras, de mil saudades. E as lagrimas são uma doçura tão intima, e tão celeste! Por isso eu adoro-te.