—A caixa é muito linda, ou é assim, assim?

—Oh! é toda coberta a setim de duas côres! E com fitas de seda muito chics! Helena que diga.

—A caixinha até é mal empregada no leilão, disse Helena, porque póde ir parar ás mãos de quem a não saiba apreciar e a não estime.

—Bom! disse Paulo com resolução. Pois nesse{67} caso mais graça tem a brincadeira. É uma coisa que vou metter dentro da caixa amanhã de manhã, e que vae fazer rir ás bandeiras despregadas toda a gente que estiver no leilão. Porque, indo fechada, hão-de ter a curiosidade de vêr o que vae dentro. Ella tem chave?

—Tem; vae presa a uma fita. Mas o que é, Paulo?

—É um rato!

—Ah! Ah! Ah! Tiveste bôa lembrança, e...

Na porta da cosinha soaram duas pancadas surdas, e uma voz um tanto aldrabada chamou de fóra:

—Ó tio Alameda! Você não dá um caldo e dormida ao Belbuth?

—Ah! o Belbuth! exclamou Julia batendo as palmas, e erguendo-se pressurosa a abrir-lhe a porta.