—Eu me explico. Espero que tomará na devida consideração as minhas palavras, pois que, tratando-se de seu filho...

—De meu filho?!... Que fez elle?

—O seu filho, snr. José, vae numa vida muito má! Numa vida que lhe fará perder a sua alma se vocemecê, com a auctoridade de pae, se não oppusér...

—Mas explique-se, por Deus, sr.ª Joaquina!

—Olhe, snr. José: o senhor conhece aquella rapariga chamada Maria Luiza que, segundo as famas que tem, não é das mais honestas?

—Conheço! Eu conheço a Maria Luiza!

—Pois o seu filho anda mettido com ella já vae para tres mezes; e isso fica muito mal a um rapaz como elle, filho d'um homem tão temente a Deus. Reprehenda-o, snr. José, reprehenda-o! É uma bella alma que se perde. Além d'isso, dizem que anda tão cégo por ella, que vae todas as noites lá a casa...{76}

—O meu filho?! O meu João?!

—É verdade, sr. José. E tão desavergonhada é a filha como é a mãe, que consente poucas vergonhas lá em casa. É preciso que elle mude de vida, que já anda muito nas bôccas do mundo! E anda tambem em muito maus lençóes, porque, na vespera do Natal do Redemptor—aqui baixou a voz, fallando com calôr e vehemencia, e meneando os braços nuns gestos disparatados—espancou um rapaz que ia a passar á porta dessa tal Maria Luiza!

—Na verdade, sr.ª Joaquina, custa-me acreditar que meu filho faça isso!