—Pois é isso... Ah! a proposito do tio Alamêda!{91} Não sei se vossa senhoria sabe que elle, além d'essa rapariga, tem um filho ahi dos seus vinte e quatro a vinte e cinco annos?

—Não sabia, mas fico sabendo.

—E vossa senhoria lembra-se da tia Rita Serôdia?

—Hum! Não me reccordo, não.

—Bem, é a mesma coisa. Pois uma filha d'essa tal Serôdia, uma rapariga toda espevitada e geitosa, cantava ao desafio com qualquer, que era um gosto ouvil-a! O tal filho do tio Alameda tambem canta muito bem; é até chamado o rei dos cantadores, porque por estes sitios e arredores, não ha ninguem que se lhe compare. Qualquer que se fosse bater com elle, era derrota certa. Ora essa tal filha da Serôdia, e que se chama Maria Luiza, deu em ir cantar sempre com elle; em todas as festas onde appareciam os dois, ahi estavam em frente um do outro! Até algumas vezes ella vencia-o, mas dizia-se que era elle que o fazia de proposito. Mas mais tarde é que se soube que o rapaz dava o cavaco por ella, tanto que se tem feito os esforços para o retirar, porque dizem que casa com ella, e não ha meio; e é porque, segundo consta, a rapariga é mal empregada n'elle, porque se portava mal, e, além de elle ser um bello rapaz, estimado de todos, dá um desgosto ao pobre velho do pae, que não faz ideia. Ora por estas razões, é uma obra de caridade desviar o rapaz d'alli. Isto de mulheres, vossa senhoria sabe-o melhor do que eu, porque tem corrido mundo, em lhe cheirando a riqueza, illudem-se como ratos!

—Ah! Ah! Ah! Queres então dizer que, com duas arrastaduras de aza e outras tantas promessas...

—Ora nem mais! Além d'isso, não é mau petisco! E como anda toda inchada por o rapaz andar{92} assim pela beiça, sabendo toda a gente o que ella foi, era bem feito.

—Oh! diabo! Mas é preciso fazer isso com geito. Não vá o rapaz fazer alguma...

—Isso fica por minha conta! Com geito tudo se arranja. Sou amigo do rapaz, começarei a metter-lhe em cabeça que a rapariga anda a perder a cabeça com vossa senhoria, que nem sequer ainda pensou n'ella, e, finalmente, quando vossa senhoria começar a entrar em combate, ella, com certeza, não resiste, e então eu direi ao rapaz se fôr preciso, que foi ella até que se entregou a vossa senhoria. Verá depois como elle até me agradece o cuidado que tive em lhe abrir os olhos.

—Bem. Arranja lá as coisas, e, quando fôr occasião, mostra-me a rapariga. Agora ouve lá uma outra coisa: não ha por ahi quem queira vender uma propriedade bem situada, que seja fertil, isto é, com agua em abundancia, e onde se possa fazer uma casa?