—És pateta! Mais motivos ha para desviar o rapaz. Eu gosto da irmã a valer. Sou até capaz de casar com ella: por isso tenho a obrigação de pugnar pela honra da minha futura noiva. Percebes?
—Perfeitamente. Diz vossa senhoria que...
—Digo que vou empregar os esforços para que o filho do Alameda deixe a tal Maria Luiza. Mas agora é preciso tento no jogo!—E, fallando mais confidencialmente, continuou—Eu vou, primeiro que tudo, vêr se engano a Helena. Não sei se me comprehendes...
—Muito bem. Eh! Eh! Eh! Vossa senhoria sempre tem uma arte!
—Entretanto, vae vendo se despersuades o rapaz do que lhe disseste. Dize-lhe agora que fizeste aquillo, sómente para o rallar, que é para elle não andar de pé atraz commigo.
—Percebo muito bem.
—Depois... eu te direi, quando as coisas estiverem em bom caminho, o que has-de fazer.—E ajuntou com um sorriso malicioso:—E é mais uma sôpa que se molha... Porque a Maria Luiza ainda não é má de todo!...
—Eh! Eh! Eh! Vossa senhoria tem uma arte! Tem uma arte!... É capaz de as levar todas a fio!...
—Pois tu não sabes, homem, que o dinheiro faz tudo? Acaso serei mais bonito do que os outros? Não! Ha até por ahi caras muito melhores do que a minha. Mas... bem vês que hoje o mundo não olha a formosuras... Isto em questões d'esta ordem. Mas, como te ia dizendo, tu, agora, nem mais um pio dás sobre{101} o caso: só dizes ao filho do Alameda que aquillo foi um gracejo da tua parte...
—Sei muito bem.