—Tu é que não sabes as coisas. Não é a deshonra que me incommoda! Já não é a primeira, nem a segunda, nem... eu sei lá! O diabo é que a nenhuma fiz promessa, sob minha palavra d'honra, de casar, caso a encontrasse pura, senão a esta. E eu, o que mais prezo neste mundo, é a minha palavra. Depois, ainda que não fosse isto, bastava só o remorso de lançar no desespero esse bello rapaz, sem necessidade nenhuma. Tudo por causa d'essas malditas linguas, que precisavam ser arrancadas, todas as vezes que se põem a fallar da vida alheia!
—Oh! senhor! Mas então...
—Então, o quê?
—Quero eu dizer que...—replicou o Neves coçando na cabeça, contrariado—que, se não quer faltar á sua palavra...
—Sim: e a outra?
E voltou a passear.
—A outra?! Tambem lhe deu a palavra d'honra?
—Não lhe dei a palavra d'honra, mas jurei-lhe por Deus que lhe havia de dar a felicidade, respondeu o brazileiro com voz abafada, sem se deter no seu passeio. E accrescentou—Além d'isso, a essa amo-a devéras!
O Neves, perplexo, olhava para o chão, sempre com as mãos appoiadas no cabo do machado.
—Na verdade, foi uma dos diabos!... E agora, que tenciona vossa senhoria fazer?