—De maneira que a rapariga... não...

—A rapariga estava honrada como as mais honradas! É o que é!

Novo silencio. Foi ainda o Neves quem o interrompeu, dizendo n'uma especie de lamuria, muito pausado e sentencioso:

—Ora vejam vocês como ás vezes uma pessoa padece injustamente!... Quem havia de dizer!... Que ella tinha sido esta, tinha sido aquella, que se portava assim, se portava assado!... Já me não torno a fiar em nada que se diga!

—Pois se tu assim tivesses feito!...

O Neves calou-se áquella observação, feita á maneira de censura.

«Effectivamente, pensava elle comsigo, eu é que fiz mal em o metter em contradanças! Mas... sêbo! Eu não sabia! Nem tenho culpa do que se dizia! Sou culpado e não sou!... Mas... que raio de historia! Que diabo de mal tem isso?»

Foi sob a influencia d'esta ultima reflexão, que quebrou de novo o silencio, dizendo resoluto:

—Afinal... vossa senhoria está para ahi com uns taes incommodos por causa d'uma coisa que não presta para nada! Deshonrou a rapariga, acabou-se!{120} Uma coisa muito natural! Vossa senhoria tambem ficou deshonrado?

O sr. Velloso parou, e, olhando para o visinho, retrucou: