O filho da tia Maria das Neves poisou o machado no chão, e, appoiando sobre o cabo as mãos, ficou a olhar para o brazileiro, sem pestanejar, como quem não comprehendia nada do que ouvia; até que, passados momentos, perguntou, meio parvo, ao brazileiro que passeava apressado d'um lado para o outro no alpendre, retorcendo com uma das mãos o bigode:
—Que lembrança?!
O brazileiro parou, e, olhando para o Neves, respondeu mal humorado.
—Essa lembrança maldita que tu tiveste de eu ir perseguir essa rapariga que, afinal, estava mais pura que a tua lingua e as de toda essa canalha que dizia mal d'ella!
E continuou a passear agitado d'um lado para o outro.
O Neves abriu os olhos e a bocca de espantado, meio aparvalhado, e, depois de seguir machinalmente{119} com a vista, durante um bom meio minuto, os movimentos do brazileiro, gaguejou:
—Mas... Vossa senhoria falla sério?!...
—Antes não fallasse! resmungou o sr. Velloso, como fallando comsigo, e collocando, sem interromper a sua marcha, as mãos atraz das costas.
Seguiu-se um silencio egual, em que apenas se ouvia o ruido dos passos do brazileiro caminhando no pavimento terreo do alpendre.
O Neves tornou a interromper o silencio, perguntando: