Era quasi noite, e perto da casa de Maria passou pela mãe d'esta, cuja saudação não ouviu.
Alguns homens que, de volta do trabalho, recolhiam a casa, e algumas mulheres, de cantaro á cabeça, davam-lhe as boas noites, que elle não retribuia.
Tinha sempre, para cada saudação, um dito gracioso acompanhado d'um sorriso; e d'aquella vez passava como um desvairado, o passo vacillante e apressado.
Ficavam-se a olhar para elle por momentos; depois, encolhendo os hombros, continuavam o seu caminho.
João, quando chegou a casa, não tratou de vêr, como era seu costume, se o gado estava recolhido e os utensilios de lavoura que tinham servido nesse dia estavam acondicionados. Entrou na cozinha, deu sorumbaticamente as boas noites, pediu que lhe levassem ao quarto uma escudella de agua mórna para lavar os pés, e, allegando uma violenta dôr de cabeça, despediu-se do pae e recolheu á alcova.
—Queres que te traga a ceia, João? perguntou-lhe Helena quando lhe foi levar a agua.
—Não; não quero. Não me appetece comer.
—Eu não sei o que tens, João! O Paulo diz que não te tinhas queixado no campo de incommodo nenhum. Diz que só se foi que te désse pelo caminho: que ficaste atraz...
—Pois foi no caminho. Olha, vou dizer-te uma coisa, que talvez te não seja muito agradavel, embora pretendas negal-o...
—Que é? perguntou Helena com anciedade.