«Os resultados dos descobrimentos dos portuguezes foram taes que ainda agora podemos exclamar bem alto:—Disputam-nos hoje alguns palmos da terra que aos graus de 20 legoas descobrimos e conquistámos, em troca de muito oiro, muito sacrificio e muita vida, menosprezados pelos povos a quem ensinámos o que podiam alguns milhares de homens animados pelo acrisolado amor da patria. Bem pouco valemos já. Percorram, porém, os areiaes da Africa, visitem os palmares da Asia, admirem as florestas da America, ou naveguem por entre as ilhas da Oceania, que em toda a parte, ou seja no padrão de pedra, na cruz do templo, na muralha da fortaleza, no nome do descobridor ou na linguagem do povo, por toda a parte hão de encontrar vestigios da passagem dos nossos avós, dizendo—honra ao nome portuguez!»

Foi esta a herança que nos legaram, que ninguem póde roubar-nos, e que eu considero como a mais gloriosa das consequencias dos descobrimentos dos portuguezes nos seculos XV e XVI.

[1] «Nicolau Coelho chegou a Lisboa a 10 de julho de 1499, e Vasco da Gama a 29 de agosto.»—João de Barros. Dec. I, liv. IV, cap. XI, pag. 370.

«A 29 de julho (alguns dizem de agosto) entrou Vasco da Gama no Tejo, aonde já o esperava Nicolau Coelho, que tinha chegado a 10 de julho.»—Indice chronologico das navegações, viagens, descobrimentos e conquistas dos portuguezes.

«Vasco da Gama chegou a Lisboa a 29 de agosto, segundo Goes, ou nos principios de setembro, segundo Castanheda, tendo sido precedido, em 10 de julho, por Nicolau Coelho, etc.»—Roteiro da viagem de Vasco da Gama em 1497, por A. Herculano e o barão de Castello de Paiva, prologo da 1.ª edição.

«A 29 de agosto chegou Vasco da Gama ao patrio Tejo; e sem entrar na cidade, esteve nove dias no mosteiro de Belem, etc.»—Historia de Portugal, por Henrique Schæffer.

«D'esta ilha (Terceira) partiu Vasco da Gama para Lisboa, aonde chegou a 29 de agosto, sendo recebido del-rei e de toda a corte com as maiores honras, festas publicas e demonstrações de alegria.»—Annaes da marinha portugueza, por Ignacio da Costa Quintella.

«Da ilha (Terceira) forão muytos nauios em companhia das naos, que todos chegárão juntos a Lisboa, que foi em dezoito dias de Setembro do ano de 499.»—Lendas da India, por Gaspar Corrêa, publicadas pela academia das sciencias, sob a direcção de Rodrigo José de Lima Felner, liv. I, cap. XXI, pag. 137 e 138.