Soltam-se exclamações por entre algum rumor:
—Muito bem! muito bem!—É um grande pregador!—
—Foi um rico sermão!—E que bonita voz!
E é esta a tua casa, ó meu pobre Jesus!
Não te bastou a cruz;
Era preciso o altar,
Que destino cruel, que tragica ironia!
Nasces na estrebaria,
Vives no lupanar!
esfila pela rua immensa multidão.
Saiu a procissão;
Paremos um instante. É curioso isto.
Que farças imbecis, que velhas pompas mudas!
Lá vae pegando ao palio o teu amigo Judas,
Que está, como tu vês, commendador de Christo!
Os anjos theatraes caminham lentamente
Com azas de galão feitas expressamente
Nas lojas de Pariz.
Pobres anjos do céo! querem martirisal-os:
Vão cheios de suor e apertam-lhe os calos
As botas de verniz.