Eurico, Eurico, ó pallida figura,
Lastimoso, romantico levita,
Que nos serros do Calpe em noite escura
Ergues as mãos á abobada infinita;
Rasga a pagina santa da Escriptura;
O espirito de luz que em nós habita
Já não consente essa ideal loucura
Que faz do amor uma paixão maldita.
Deixa a soidão dos montes escalvados;
Não soltes mais os threnos inflamados,
Nem tenhas medo ás garras do demonio.
Beija a Hermengarda, a timida donzella.
E vai de braço dado tu e ella
Contrahir civilmente o matrimonio.
A ARVORE DO MAL
Por debaixo do azul sereno, entre a fragancia
Dos mirtos, dos rosaes,
Viviam n'uma doce e n'uma eterna infancia
Nossos primeiros paes.
Seus corpos juvenis, mais alvos do que a lua,
Mais puros que os diamantes,
Conservavam ainda a virgindade nua
Das coisas ignorantes.