Quem me déra voar aonde agora
Me leva o pensamento!
Iria aos braços teus buscar allivio
Á dor que me devora!
Iria juncto a ti viver feliz
Como vivêra outr'ora!
A MEUS MANOS
Prouvéra a Deus, que eu podesse,
Atravessando os espaços,
Ir fazer-vos mil carinhos,
Cingir-vos em doces laços;
Cobrir-vos-hia de beijos,
Mitigando a minha dor:
Oh! então mostrar-vos-hia
Quão intenso o meu amor!
Mas são projectos baldados
Estes que n'um sonho eu vi;
Recebei pois a saudade
Que ora vos mando d'aqui.
Á MORTE DE MINHA PRIMA D.J. ERNESTINA
Ainsi tombe une fleur avant le temps fanée.
LAMARTINE—Medit.
Ceifou-te a morte no verdor dos annos,
Innocente bonina; e quando então,
Tão candida e tão bella despontavas,
Tão linda e terna como os anjos são!
Da vida o livro mal aberto tinhas,
Entre os dedos a página da morte,
Sem sentir te apparece de repente:
Assi Deus decretou a tua sorte.
Os anjos, invejando-te a candura,
D'este arido deserto te hão levado;
Temeram se manchasse um coração
De tamanhas virtudes inspirado!