Á MORTE DO MEU AMIGO A. P. DE MELLO

Eu choro, amigo, eu choro ao ver-te assim
Roubado pela morte ao mundo, á vida;
Ai! que transe cruel, que dor sem fim
Soffrendo está minh'alma enternecida!

Da amizade antes nunca os doces laços
Os nossos corações viesse unir,
Se te havias de ir cedo dos meus braços,
Se tão breve me havias de fugir!

Antes nunca… que não poderei eu
A ventura sem ti jámais achar!
Perdido o leme e o rumo ao barco seu,
Como é que póde o nauta navegar?…

Morreste, e nada tenho já commigo!
Esp'ranças, illusões, sonhos ditosos
D'esses meus dias de prazer, de gosos
Voaram todos para Deus comtigo.

A UM AMIGO

Vivo triste, sempre dado
Ao martyrio, á dor, ao pranto:
A vida, por meu mau fado,
Não tem para mim encanto!

Nasci p'ra ser desditoso,
P'ra ser feliz não nasci;
Uma esp'rança, um sonho, um gôzo
Nunca n'alma conheci!

Mas dá-me a tua amizade,
Que, sendo tu meu amigo,
Póde ser que a f'licidade
Venha ainda ter commigo.

NÃO CHORES