'Stás tão triste, coitadinha,
Ai! fazes-me entristecer;
Nos teus olhos 'stou a ler
Que dor cruel te definha!
Oh! não chores, que se a vida
Te ha sido tão desditosa,
Outra já bem venturosa
Espera por ti, ó q'rida:
As tristes pungentes dores
Do teu terno coração,
Lá no ceu se tornarão
Inda n'outras tantas flores!
Houve tempo
Houve tempo, em que feliz
Vive alegre, ditoso:
Então passava meus dias
Sempre, sempre venturoso;
Houve tempo, em que este mundo
Julgava sómente ser
Esse espaço, que meus olhos
Podiam só abranger.
E o tempo destruidor,
Em troca d'essas venturas
E das minhas illusões,
Deu-me só mil amarguras.