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Falta-me a luz e o ar!… Oh, quem me dera
Ser abutre ou ser féra
Para partir o carcere maldicto!…
E como a noite é limpida e formosa!
Nem um ai, nem um grito…
Que noite triste! oh noite silenciosa!…»
* * * * *
E a natureza fresca, omnipotente,
Sorria castamente
Com o sorriso alegre dos heroes.
Nas sebes orvalhadas,
Entre folhas luzentas como espadas,
Cantavam rouxinoes.
Os vegetaes felizes
Mergulhavam as sofregas raizes
A procurar na terra as seivas boas,
Com a avidez e as raivas tenebrosas
Das pequeninas feras vigorosas
Sugando á noite os peitos das leoas.
A lua triste, a lua merencorea,
Desdemona marmorea,
Rolava pelo azul da immensidade,
Immersa n'uma luz serena e fria,
Branca como a harmonia,
Pura como a verdade.
E entre a luz do luar e os sons e as flores,
Na atonia cruel das grandes dores,
O melro solitario
Jazia inerte, exanime, sereno,
Bem como outr'ora a mãe do Nazareno
Na noite do calvario!…