VIII

*OS POBRESINHOS*

OS POBRESINHOS

Pobres de pobres são pobresinhos,
Almas sem lares, aves sem ninhos…

Passam em bandos, em alcateias,
Pelas herdades, pelas aldeias.

É em Novembro, rugem procellas…
Deos nos acuda, nos livre d'ellas!

Vem por desertos, por estevaes,
Mantas aos hombros, grandes bornaes.

Como farrapos, coisas sombrias,
Trapos levados nas ventanias…

Filhos de Christo, filhos d'Adão,
Buscam no mundo codeas de pão!

Ha-os ceguinhos, em treva densa,
D'olhos fechados desde nascença.