Ha-os com f'ridas esburacadas,
Roxas de lirios, já gangrenadas.
Uns de voz rouca, grandes bordões,
Quem sabe lá se serão ladrões!…
Outros humildes, riso magoado,
Lembram Jesus que ande disfarçado…
Engeitadinhos, rotos, sem pão,
Tremem maleitas d'olhos no chão…
Campos e vinhas!… hortas com flores!…
Ai, que ditosos os lavradores!
Olha, fumegam tectos e lares…
Fumo tão lindo!… branco, nos ares!…
Batem ás portas, erguem-se as mães,
Choram meninos, ladram os cães…
Resam e cantam, levam a esmola,
Vinho no bucho, pão na sacola.
Fructa da horta, caldo ou toucinho,
Dão sempre os pobres a um pobresinho.
Um que tem chagas, velho, coitado,
Quer ligaduras ou mel-rosado.