MAGNUS, furioso:

Safa! que língua! que veneno!…

O REI:

E o duque atomatado!
Como se não pudesse um ministro d'estado
Regalar-se com vinhos bons ou fêmea alheia!
Deixe-os morder de raiva. É tudo inveja, creia.
Gosto dum vélho assim, danado e atiradiço…
Um vélho folgazão… Simpatiso com isso.
É cá dos meus… é cá dos meus…

MAGNUS, risonho e vaidoso:

Na juventude,
Rapaz… como rapaz… vamos! fiz o que pude!…
A crónica inda o lembra… Hoje o caso é diverso…
Aos sessenta já custa a endireitar um verso!

O REI:

Maganão!

MAGNUS:

Hoje não!… Só em pequenas dozes…
Falta o melhor… São mais as vozes do que as nozes…