CIGANUS:

Por mim desejo tropa, em logar de irmandades.
Mas, se a raínha quer os frades, venham frades.
Com certo geito e condições, inda afinal
Se atamanca de Deus um bom guarda rural…

Trovão retumbante. A caverna da noite incendeia-se de oiro, abrasada a relâmpagos. Ais e lamentos. Gritos ferozes de soldados. Uivam os cães. Sente-se ao longe um rumor imenso de multidões que debandam.

MAGNUS, meditando:

Que demónio!… cheira a chamusco… Volta a dança…
Olha que brincadeira!… Isto, se a coisa avança,
Vai tudo raso, vai tudo em cacos pelo ar!
Não me sinto aqui bem… Nada! ponho-me a andar!…
Uma história qualquer…

Ao rei:

Meu Senhor, a duquesa…
(Foi dêste abalo repentino, esta surpresa…)
Achou-se mal, deu-lhe um febrão… em tal estado,
Que não gosto… não gosto… inspira-me cuidado…
E se El-Rei o permite…

O REI:

Ignorava… Ora essa,
Meu caro duque! Ande ligeiro, vá depressa…
Boa noite… Dormir um pouco, e às cinco e meia
Na toirada. Curro catita! É de mão cheia!

O rumor longínquo, de maré humana, avança, trágico, na escuridão
profunda. Surge na praia uma nau gigante, embandeirada de negro.
Uivam os cães.