Por aqui vemos mais que João Affonso se tinha ao serviço de França tornado respeitavel a Portugal. Na verdade as queixas do nosso Governo contra elle, chegaram a obrigar o Governo Francez a tel-o por algum tempo preso em Poitiers.

Fique, pois, João Affonso d'hoje em diante havido por portuguez, porém não na lealdade, e sirva a qualificação de Saintongeois, que elle jámais usou, mas que lhe foi dada depois de morto, apenas para indicar que elle tomára por patria adoptiva Saintonge; ou então sirva para mostrar o quanto os francezes de então, como os d'hoje, o ambicionavam seu, e o pouco escrupulo em forjar os meios de prova com que podessem sustentar suas aereas pertenções.

Terminando este artigo da presente carta, lembraremos a grande possibilidade de encontrar na propria Hydrographia manuscripta de João Affonso a confissão da sua qualidade de portuguez.

O silencio do sr. Pierre Margry, no extracto que d'ella offerece, á cerca dos portos e costas de Portugal, confessamos que nos parece bem suspeitoso.


Extracto da carta ao ex.mo redactor do--Jornal do Commercio--José Maria Latino Coelho, por João Teixeira Soares. Sobre a qualidade de portuguezes de tres grandes navegadores do seculo XVI; João Affonso ao serviço de França, João Fernandes e Pedro Fernandes de Queiroz, ao de Hespanha. Publicado nos folhetins do--Jorgense--n.os 90 e 91 de 1875.