XX
EM PAZ...
E tu, ó meu bom amigo
Das agras lides do estudo,
Foste em busca de outro abrigo
—Para ti findou-se tudo!
Finda-se tudo no mundo
Prás almas santas, louçãs,
Que ao Misterio azul, profundo,
Vão pedir outras manhãs...
Fugiste da noite escura
Prá célica luz viváz!
Descança na sepultura,
Amigo, descança em paz.
Olha as folhas a caír
Dos carvalhos desoládos:
Vái a Natúra dormir
Sob os gêlos branqueados...
Pelas noites de inverneira
Has-de ouvir, na terra fria,
Os mugidos de agonía,
Que soluça a ventanêira...
E em noites de serenáda.
As humânas ilusões
Hão-de cantar á toada
Dos bandolins e violões...
Como leite a flutuar
No sôno doce das coisas,
Cairá brando o luar
Sobre a tristêza das loisas...
Ouvirás ao longe o brado
Das serranílhas cantadas
No luar de algum eirádo,
Ao chorar das guitarrádas...