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Ó Criadôr das estrêlas,
Que fulgem plo céu alem!
Fizeste coisas tão bélas,
—Faze-nos santos tambem...

Indescritíveis torturas
Lancínam os corações!
Pois estes são sepulturas
De mil mortas ilusões...

Tuas bênçãos perfumadas
São para os nossos martirios
Qual rócio das alvorádas
Prás urnas rôxas dos lirios...

Minha pobre alma de poeta
A Ti se acólhe, Jesus...
Como airáda borbolêta,
Fujo das Trevas prá Luz...

Das tuas chagas, meu Bem,
Pende a minha imensa esp'rança,
Como de uns beijos de mãe
Pende a vida da criança...

Ha uma dôr infinita
Na alma da Humanidade:
Pois o mundo hoje gravíta
Entre a dôr e a impiedade!...

Quem podéra, oh!—quem podéra,
Sob o céu azul, profundo,
Vêr florir a primavéra
Da crença geral no mundo...

Faze Tu, ó Deus clemente,
(Basta só um teu olhar...)
De cada homem um crente,
De cada peito um altar...

Pois não fizeste as estrélas,
Que palpítam, ceu além?...
Se fazes coisas tão bélas,
Faze-nos santos tambem...