Alí, naquêle Cristo de olhos virgens
Fitos nos longes vêrdes da devêza
Mergulhada nas hórridas calígens
Da formidavel dôr da Naturêza...
*
Ó pombas de Belêm, voái em bando...
Espedaçái os corações de dôr
Á vista do misterio formidando
Da morte do Senhor!
Ó pombas de Belém, voái em bando...
Chorái, ó violêtas de Jessé;
Chorái, ó madresilvas, ó martírios;
Chorái, ó roseiráis de Nazaré;
Chorái, ó palmeiráis; chorái, ó lirios!
Chorái, ó violêtas de Jessé...
Chorái, ó almas bíblicas, antigas...
Ó sombras dos Juizes, dos Profétas;
Ó noivas a cismar entre as espigas,
Pisando as relvas vêrdes e as violêtas!
Chorái, ó almas bíblicas, antigas...
*
Eu queria soluçar em verso brando
O martirio sem nome, formidândo,
Do bom Jesus,—do Deus e Senhor nosso...
Para chorar suplicio tão feríno
Eu queria ter um estro ideal, divino...
Queria... Mas não posso!
XIX
ORAÇÃO
Já que atingímos a mansão da Luz,
Prostrêmo-nos a orar ante Jesus...