Esse cancro maldito dá vertigens!
Alastra pela praça, pelos lares;
Corrói as carnes lácteas das virgens,
E cria os lupanares!

Agácha-se nos leitos conjugáis;
E açulando odientos vitupérios,
Desváira, céga, os corações leáis
E faz os adultérios!

Desenvolvendo instíntos de cobíça,
Instintos indomáveis, máus, ferínos,
Reprime e calca o Bem, céga a Justiça,
E forma os assassinos!

Desváira as corrompídas gerações,
E, derrancando odios pelas terras,
Lança os povos nas bruscas sedições:
Fomenta e acende as guerras!

Cancro que é o Mal, é o vicio, é o odio, é o fel,
Fervendo sob o disco azul dos céus...
É o filho prediléto de Lusbél,
De garras encrispádas contra Deus!

Dêle nasce este pélago de dôres,
Este indeciso mal-estar geral,
Que os mil e um profanos pensadôres
Hão designado—Dôr Universal!...

Ninguem acha o remedio, ó Deus, ninguem!

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Ó meus amigos, ajoelhái e ouvi:
Remedio deste mal só Deus o tem...
Olhái a Cruz, olhái...—Reside alí.

Alí, naquêle Cristo ensanguentado,
De chagas rubras como rosas vivas,
Erguendo ao alto o rosto escalavrado,
Lançando aos homens vistas compassivas...

Alí, naquêle Cristo moribundo,
Pregado nos braçáis daquela Cruz,
Abrindo o coração sangrento ao mundo,
Em labarédas místicas de luz...