Mas é que Ele era Deus, e lia no fundo das almas, e nascêra de uma Virgem por causa dos pecadôres.

Desgraçada a sociedade em que a mulher se corrompe. É o Amor que desce do seu trôno azul e santo onde Deus o colocára, é o sentimento que se embota e morre, é a alma que rastêja e já não pode alevantar-se ao alto...

E a prostituição corróe tudo!

As virgens da Lusitânia, os anjos de Portugal, as filhas da nossa Raça, já não esperam nem creem no embotádo coração dos homens. E vão sentar-se, coitaditas, a chorar, esmorecidas, nas solidões lutuósas, quando se não entregam—ai! quantas vezes...—desvairádamente, ao turbilhonar do vicio, prostituindo-se, perdendo-se!

E o mundo ri, ri de tudo. Da dôr resignada que santifica, do amor santo que perfuma, da crença que anima e salva.

E os vates cantam o vicio, paixões desvairadas, egoismos truculentos, abominaveis luxurias...

E a miseria desalenta os operarios rudes, que passam esfrangalhados, enfarruscados de carvão, descridos, desesperados, erguendo para os céus os braços cabeludos, em crispações de ameaças.

É a fome, é a peste, é a guerra,—a trindade trágica devastando as almas!

Ó Seminaristas do meu Paíz, ó meus camaradas, meus amigos!—Abrâmos resteas de esperança nesta caligem da Dôr! Vamos por aí fóra,—corações abertos, almas compadecidas,—a fazer nos desesperados a sementeira do Amor...

Ai quem déra nesta sociedade um bânho espiritual da caridade do doce anjo de Assis, daquêle seráfico espêlho do enternecido Jesus...