Que êles se ajoelhem aos pés da Cruz, do Operario-Deus, do Carpinteiro-Divino. Lancêmos uma gôta de orvalho áquêle desespêro ardente...
E êles terão a esperança.
—Outro ainda. Um nulo. Olhai que olhar aquêle... Olhar mortiço, sem expressão, sem vida. É um martir...—martir dos proprios vicios. Assa-lhe as carnes, requeima-lhe o aguádo sangue a febre das luxurias desvairadas, das execraveis torpêzas, das verde-negras abominações.
Não tem um ideal, uma esperança, um norte.
É um morto, coitado...
—E aquelas? Quem são elas que passam saracoteando-se, e olhando para nós com uns tregeitos equívocos de deslavada gaiatice?—São as loureiras. Pobres raparigas, pobres escravas!
Porque elas são escravas. Da escravatura branca, que Victor Hugo chora e amaldiçôa.
E lá vão elas, tresloucadas, delambidas, de arcaboiços podres desengonçando-se entre chitas baratas, a vender sorrisos, a dizer torpêzas.
Que se lhes ha-de fazer? Enxovalha-las mais? que façam isso os máus. Nós somos discipulos de Jesus.
Jesus, que lia nos corações, porque era Deus, sabia fazer dessa lâma pedras preciosas, dessas larvas dos bordéis fazia Ele anjos castos. Fitando-as com os seus olhos muito tristes, muito tristes e compadecidos, transformava as Madalênas em anjos místicos, purissimos, e as pobres Samaritânas em missionarias do Ceu...