Do horizonte morno e do grande zénite manava uma languidez tão doce, um sopro de vida tão encantador, e uma majestade tão serena, que os companheiros de Vanhab, sua mãe e sua viuva esqueciam a dor e o terror da morte.

O cadáver, seguro enfim, oscilou um pouco, e a horda começou a debandar sob a penumbra do crepúsculo.[{27}] Nos pontais das suaves colinas, à beira do rio, as naturezas contemplativas viram repartir-se a luz em mil figurações efémeras.

Dentro em pouco, debaixo da árvore, havia apenas o núcleo dos companheiros íntimos e dos parentes.

A sombra sucedeu aos esplendores do céu. Mais um dia desapareceu nas profundezas do passado. Mais uma noite desenrolou o manto do infinito.

Impressionados então, com imaginações embrionárias, com o pensamento da morte e da noite associadas, os humildes pré-históricos, fiéis a Vanhab, juntaram um sonho aos milhões de sonhos, de que nasceram os cultos, de que nasceram as alianças do terror, do sobrenatural e da imortalidade.

Entretanto, a jovem esposa estava prostrada sobre a erva, com os cabelos esparsos sobre as gramíneas, como as flores dos salgueiros que choram sobre os nenúfares dos lagos; e Terann, o vencedor, amigo de Vanhab, apiedou-se dela e sentiu estremecer o coração, porque o cabelo da mulher era formoso e o seu pescoço arredondado e branco, à claridade final do dia.

Terann teve então palavras doces, e ela ergueu os olhos... Ponderou que Terann era forte entre os fortes, e sem ferocidade para as mulheres e crianças. E, quando as trevas se cerraram, ficou um ao lado do outro, sem movimento, sem palavras, mas sentindo raiar em si um porvir, enquanto os lobos vagueavam na planície, e a hiena gargalhava à borda do rio, e os grandes carnívoros sentiam dilatar-se-lhes a força.[{28}][{29}]

[IV
A ilhota]

Vamiré, filho de Zom, não obstante a sua juventude, era o assombro da horda dos Pzanns. Caçador experto e valente, belo de estatura e forte como o auroco, possuía também os dons misteriosos da arte. As formas do animal e da planta cativavam a sua imaginação.

Era daqueles que divagam sozinhos sobre as colinas e que cruzam a floresta, ou vogam pelo rio, ou se embebem nas trevas, pelo jubilo de surpreender as coisas secretas.