Vamiré admirou-lhe a fisionomia feroz, as maxilas enormes, as sobrancelhas emaranhadas por cima das pupilas amarelas, a sua epiderme escura e granulosa, sem que diminuísse a simpatia, o prazer de encontrar um semelhante, depois de uma semana de solidão; e, acompanhando as palavras com o gesto, Vamiré tornou:
—Vamiré, amigo..., amigo!
O homem das árvores rosnou, entreabrindo os beiços, certamente hesitante sobre as intenções do outro.[{41}]
O nómada, vendo a inutilidade das palavras, recorreu aos gestos, mas sem outro resultado, senão aumentar a desconfiança do desconhecido.
Sem se importar disso, Vamiré deu alguns passos em frente; mas então, de punhos cerrados e pupilas trémulas, o homem das árvores bateu no peito e ameaçou o troglodita. Este irritou-se:
—Vamiré não teme o leão, nem o mamute, nem as ciladas dos homens...—
O homem das árvores rosnou outra vez, sem avançar todavia para o Pzann, mantendo-se na defensiva.
À vista do que, Vamiré calou-se, já sem ira, e com uma curiosidade crescente.
Os dois contemplaram-se por algum tempo.
Esta pausa pareceu inspirar alguma confiança ao homem das árvores. A sua fisionomia desvincou-se, manifestando uma paz de herbívoro. Embora menos analista que Vamiré, percebia também que estava na presença de um semelhante. Vagos instintos porém, talvez recordações directas, temores atávicos, não lhe tornavam agradável tal presença.