Decorreu uma hora de terrível correria, em que Vamiré aumentou sempre a dianteira que tomara.

Mais suave, mais inclinada, a luz cobria de âmbar a planície, e a sombra do caçador e da sua presa galopava, projectando-se imensa para leste.

Voltando-se subitamente, Vamiré não viu os perseguidores.[{51}] Subiu a um montículo e avistou-os a mais de quinhentos cúbitos. Abriu os lábios num sorriso triunfal e gritou:

—Eô! Eô!

E, voltando-se para a virgem:

—Vamiré é o mais forte!—

Ela voltava a cabeça, ofendida por aquele sorriso e por aquele grito. O caçador sentou-a, e ficaram em silêncio por minutos.

A respiração de Vamiré, rouca e desagradável pouco antes, foi-se regularizando; o peito arquejava-lhe mais rítmico.

O nómada murmurou então algumas palavras. Ela abriu os olhos, e o seu olhar encontrou o dele. O olhar de Vamiré era sereno e terno. Ela encrespou as pálpebras, deixando ler no rosto uma temeridade feminina, maliciosa, desdenhosa.

Vamiré inquietava-se e encantava-se com isso: achava-a assim mais amável, e repetia, com menor convicção: