—Vamiré é o mais forte!—

Os perseguidores aproximavam-se: era necessário recomeçar a fuga.

Vamiré retomou a dianteira que levara, e pareceu então evidente que os outros, e não ele, cansariam primeiro. Demais, os perseguidores, que até então corriam juntos, começaram a desunir-se, e três ou quatro apresentavam-se muito fatigados para prosseguir. Os outros conservavam-se quase em grupo, sem que nenhum curasse de se adiantar aos companheiros, dominado pelo[{52}] misterioso da aventura e pela estatura elevada e agilidade extraordinária do dolicocéfalo.

Ia-se entretanto extinguindo o dia. Era a hora da cor de jalde. Na planície, um silêncio sem vibrações, uma atmosfera melancólica e fresca, um estádio de repoiso.

Os oásis esparsos difundiam vida em torno de si; os nemóceros voavam em altas colunas por cima das superfícies húmidas; por toda a parte despertava um frémito eufónico, balbuciações de pássaros. Hora de segurança e bem-estar, em que os animais diurnos não tinham que recear o vaguear das feras, hora em que os grandes ruminantes se deitavam na planície com uma segurança encantadora, e em que alguma coisa do viço matinal voltava, ao cair do dia.

A corrida de Vamiré tornava-se frouxa e difícil; mas, atrás dele, a perseguição parecia abandonada.

Na extrema do horizonte, o vulto dos archeiros fora-se esvaindo; e debalde o caçador procurou avistá-los, subindo a um montijo. Descansou pela segunda vez, poisando a desconhecida.

Esta, melancólica, quedou-se de pé, ao lado dele, compreendendo a inutilidade de qualquer tentativa de fuga.

Quanto a ele, sentia-se agora muito fatigado para exprimir o seu triunfo, e inquietava-se por ver que não poderia recomeçar a corrida. Consolava-o contudo a ideia de que os seus perseguidores deviam estar também extenuados.

E ficaram ambos silenciosos.[{53}]