Ela conservou-se firme, indiferente na aparência, observando obliquamente a vinda dos outros.

Vamiré calculou que, não sendo visto no momento em que eles chegassem à margem para conhecer as condições do rio entre a vegetação que o ladeava, hesitariam[{61}] necessariamente entre três ideias: que ele teria descido a corrente; que a teria subido; ou que teria atravessado o rio e continuado o seu caminho para leste.

Mantendo-se a velocidade actual da canoa, seria possível chegar à ilhota longa e estreita, coberta de arvoredo, que ele avistava mais acima, a dois mil cúbitos. Chegando lá e voltando à direita, nada poderia ser observado pelos perseguidores. Calculando bem as velocidades respectivas, a sua salvação dependia de uma dezena de cúbitos.

Empenhou todas as suas forças num impulso supremo, e abeirou-se rapidamente da ilha. Mas ao mesmo tempo chegavam os outros ao rio.

Naquele momento, foi enorme a inquietação de Vamiré: um dos asiáticos, pondo a mão em pala sobre a testa, parecia olhar na direcção dos fugitivos. Pela maneira como deixou cair a mão, pareceu a Vamiré que ele nada tinha visto; mas não era menos certo que o cortinado das árvores se tornava menos opaco para os outros e podia ser sondado por algum deles.

Felizmente a ilha estava próxima: mais algumas remadas, e Vamiré estaria no pontal.

Mas, de repente, a sua companheira, percebendo-lhe a estratégia desesperada, ergueu-se em pé e soltou um grito. Sem reagir, Vamiré deu as últimas remadas, dobrou o pontal, e, à sombra, invisível, tomou terra numa pequena calheta, e levantou-se furioso:

—Cala-te!—

A sua mão rude levantou a rapariga, sacudindo-a. Ela assustou-se, calou-se, dominada, entregue ao seu fatalismo.[{62}]

Vamiré conservou-se irritado dois minutos, com os temporais latejantes. Depois, serenou, convencido de que o grito não chegara à margem, e pôs-se a perscrutar a estepe.