Quatro dias decorreram no labor da viagem. Em a noite do quarto, desencadeou-se uma furiosa tempestade, que derrubou árvores ruidosamente, levantou no rio enormes vagas e fez tremer toda a floresta.

Abrigado numa lapa, Vamiré dormiu, resignado e tranquilo. Élem passou a noite em suplicas, orando ao Desconhecido.

O furacão sibilava, insinuando-se nos sarçais, e curvava as altas ramarias, onde se perdiam clamores em som confuso.

A tempestade declinou de madrugada. O dia amanheceu suave, as nuvens deixaram passar réstias de sol, e a floresta ressurgiu para uma vida húmida e tépida.[{127}]

O rio, barrento, largo, engrossado e tranquilo, carreava os despojos da batalha da véspera.

Começava a descida para o mar dos peixes que sobem aos rios, e que iam passando em chusmas, adelgaçados, extenuados pelo trabalho da fecundação.

Élem, fatigada, dormia; Vamiré, de bom humor, remava para a pátria longínqua.

Em horas monótonas, a ideia do espaço a transpor, a vertigem da andadura, adormentava o cérebro do Pzann. Vamiré já não era senão uma vontade tensa, um organismo mergulhado no sono dos fluidos, a água, o ar; o marulho daquela e o infinito afago deste entorpeciam as suas carnes, imobilizavam a sua memória sobre algumas palavras, sobre a imagem de seu pai, de sua mãe, do seu valente irmão Guni ou da sua irmãzita, que saltava como uma cabra montesa; mas não chegava a realizar o esforço que relaciona as coisas e as faz falar.

Mas à sexta hora depois do meio-dia, deu-se um incidente inquietador, que atraiu toda a atenção do grande nómada.[{128}][{129}]

[XVII
Os aliados]