Os tardígrados, não obstante as suas perdas, ufanavam-se de, mais uma vez, haver dado lição severa ao seu temível antagonista, e erguiam galhardamente a clava, mutuando gestos de triunfo e confiança.
A floresta agora parecia-lhes melhor. Os seus pés descalços pulavam ligeiros pelo caminho, a sua estatura aprumava-se quase, e os seus pobres olhos de deserdados pareciam brilhar.
É certo que, perante a simples possibilidade da vitória, uma expansão de seiva lhes teria dilatado o crânio; mas as vitórias restringiam-se ao animal: como uma pressão material, como uma ligadura das artérias, como uma degenerescência dos pulmões, o medo dos braquicéfalos acanhava-os, imobilizava-os; aniquilava-os, até de longe. E, assim, o circulo das suas ideias era tão limitado como o da sua vivenda, ou porque não ousavam pensar no que não podiam realizar, ou porque não podiam pensar no que não tinham realizado.
Desde a fresca alvorada até um terço da manhã,[{138}] não houve incidente na marcha. No agradável arvoredo, só havia animais inocentes. O sol tornava tépido o humo das clareiras, e os seus raios penetravam na espessura. A tal ponto a vida se expandia, que eles se puseram a cantar.
Por volta do meio-dia, a vanguarda de quinze homens recuou vivamente.
Achavam-se num azinhal interminável. Todos se alimentavam de trufas. Abundavam os javalis, fugindo adiante dos emigradores; e, por cima das trufeiras, esvoaçavam legiões de moscas gulosas.
Marchando, parando para escavar, a vanguarda avistara uma fêmea de antropóides.
Era raro que os antropóides atacassem os vermívoros, sobretudo quando estes não levavam mulheres no seu bando; pelo contrário, uma espécie de confraternidade animava o grande macaco, e os tardígrados já nele tinham tido um precioso auxiliar contra o urso e os felinos.
Formou-se conselho, e resolveu-se destacar um pequeno grupo, que fosse assegurar as suas pacificas intenções ao homem das árvores.
Aquele grupo, devidamente vigiado, atraiu a atenção dos antropóides, com gritos de alegria e sinais de benevolência.