O Pzann escutava-a atentamente.

O clarão da fogueira, menos enfumarado, banhava de claridade o quadrúpede; e, ao vê-lo mais semelhante à hiena do que ao lobo, com a sua larga mandíbula, a sua alta corpulência, a sua flexibilidade, Vamiré[{147}] compreendeu que ele devia ser um perigoso adversário.

Desviou-se porém a sua atenção, porque, adiante da fogueira, se interpôs um vulto humano, e uma voz ressoava em meio do grande silêncio e sobre as águas do rio.

Vamiré e Élem reconheceram a voz do chefe oriental. Élem dizia:

—Homem das regiões desconhecidas, escuta a voz daquele, cujos cabelos são brancos, e a quem fala, na solidão, o espírito do saber. As minhas palavras significam paz. Aliados com o cão, poderíamos encarar a guerra sem receio. Que poderias tu, homem das nascentes do rio, contra as inumeráveis legiões do animal, auxiliado de frechas e braços humanos? Aceita a paz. Mutuemos o sangue de nossas veias.—

Com a ajuda de Élem, Vamiré compreendeu-lhe as palavras. Voltando para a sua clareira, aceitou-as, gritando:

—Velho, o Pzann te saúda. Ouviu a filha da tua tribo, e está pronto a mutuar o próprio sangue com o teu. Afasta o animal, e salvem-se os comedores de vermes!—

Na margem oposta, os três moços haviam-se reunido, e o grupo dos braquicéfalos animou-se.

Não podiam fraternizar com os filhos da Serpente. O velho tendia para a clemência; mas um dos moços, fanático exaltado, pregou a vontade implacável do Animal das águas, a lei das tribos sagradas; e todos, repassados de desgosto e ódio, pareciam convencidos.

O chefe voltou-se de novo e clamou:[{148}]