Este pequeno grupo, desde então, sustentou firme todo o peso do assalto, enquanto os demais trucidavam os cães que mais se haviam internado, e conseguiam repelir os ataques de flanco.

Finalmente, o Pzann, durante uma trégua curta, fez[{162}] compreender que era mester alimentar as fogueiras extensamente, e, a pouco trecho, uma rampa de braseiros protegia o núcleo principal dos seus homens. As chamas elevaram-se, invadiram ervas secas, mato, macissos, e queimaram arbustos, de forma que, resguardados por tal barreira, Vamiré e a sua gente puderam tomar alento.

Os cães tomaram-se de assombro, e os orientais, conhecedores dos costumes do animal, resolveram ladear a barreira. Para isso, era preciso passar pelo pontal da ilhota, porque os flancos do inimigo eram protegidos por espessa vegetação, em que as forças disseminadas fraquejariam.

Vamiré, prevendo aquele movimento, destacou mais de trezentos tardígrados para os principais desfiladeiros, procurando estes por indicação dele, acender ali fogueiras, com brandões que levavam e que cobriam de ramos secos; mas não lograram esse intuito, antes da chegada dos cães.

Frouxo ao principio, o ataque do quadrúpede tornou-se formidável com a aproximação dos asiáticos. Muitos comedores de vermes, fatigadissimos, largavam o bastão, e defendiam-se com pés e mãos, com dentes e garras. Facto curioso, os cães, primeiro, inquietaram-se com aquele novo processo; mas, pouco a pouco, tiraram dele vantagem, devida principalmente ao número, que lhes permitia opor três ou quatro dos seus a cada um dos homens.

Neste ensejo, Élem veio ter com Vamiré, e as suas palavras pareciam mais eficazes que as armas. Reconhecendo[{163}] nela a raça amiga, os cães estavam evidentemente desbaratados; e foi necessária a intervenção dos orientais, para que o animal voltasse à carga.

Na refrega, duas frechas varreram a cabeça e o ombro de Vamiré; e depois vibrou uma zagaia que atravessou o peito de um tardígrado, ao lado do Pzann.

Percebendo que o alvejavam do recesso dos matagais, e que não poderia livrar-se dos cães, se não chegasse a pôr os orientais em debandada, Vamiré, depois de ter novamente agrupado os tardígrados e recomendado a Élem que se abrigasse, embrenhou-se no mato.

Orientou-se pela voz dos asiáticos, e, em poucos minutos, achou-se perto deles, rodeados de cães prestes a atirar-se. Eram forças folgadas, como de reserva para as eventualidades.

Estes animais farejaram Vamiré e denunciaram-no. Mas ele, de um salto, pô-los em desordem com a sua clava, e caiu sobre os orientais, um velho e um moço, que fugiram, disparando uma zagaia e largando as frechas. O Pzann alcançou-os, e levantou a clava, a qual caiu no vácuo, porque os outros, lestos como uma pantera, evitaram a morte. Com a pancada no solo, partiu-se a clava, e com uma só punhada, Vamiré prostrou o mais novo dos seus inimigos; o velho apontou-lhe a zagaia, e cruzaram-se os olhares de ambos.