É o meu consolo, o meu refugio, o bordão florido, regado com as lagrimas ardentes do desespero.{5}
Loucura ou sonho? mas eu creio e sinto,
Soffro, resisto, sem allivio ter;
Sou como o lyrio sem orvalho, extincto,
—Se o amor é morte, quererei morrer—
Se eu fosse inspirado por Apollo, só assim cantaria meus desgostos; se podesse banhar-me na fonte de Aganipe, mui feliz seria... pois, escripto deixava quanto minha alma é triste como o pobre naufrago; como a voz do sino, carpindo o funeral de um morto; triste como é a rosa quando com o zephyro se vae desfolhando; triste como a chorosa mãe ao dizer adeus ao estremecido filho... Minha alma é triste, como a ave que do ninho vae arrebatada; triste, como a saudade, que sendo bella, é a mais triste flôr!
Replecto de prazer, sentia a alma expandir-se fremente, jubilosa; dentro do meu craneo, agitava-se bem risonha a esperança formosa; tudo... para mim... era canto, amor e poesia; tudo era bello e gentil! Sentia uns fulgidos clarões e antevia deslumbradora aurora. Chimera vã!
Agora... punge-me o coração um presentimento cruel; vem-me enluctar o pensamento... uma recordação do passado e, nos braços de atroz angustia, fico mergulhado em ardentes lagrimas.
A juventude foge-nos tão veloz qual pluma ao vento... A illusão vem com risos, mas não apaga as verdades amargas. Tudo passa! Tudo morre!
Felizes? Jámais! Do homem é unico e vario o fado; na terra só temos por descanço a sepultura.{6}
Porque hei-de preferir o riso ao pranto?
Porque choro? porque scismo? Dôr sem fim!
Hei-de deixar succumbir a esperança?