Os pequenos, assim que se aproximavam da aula, impallideciam.
E antes de entrarem, quem ali passasse, via-os muitas vezes ainda a repetirem a lição, trémulos, enfiados e com a mesma coragem de quem tem de subir a uma forca!
O Gabriel era ainda um pequenote de sete annos. Morava ao pé do abbade. E o abbade, que era um santo velhinho, é quem muitas vezes lhe ensinava a lição. Por isso, e como o pequeno era esperto—ui! diziam os conhecidos, o Gabriel? esperto como um alho!—era o Gabriel que quasi sempre ensinava a lição aos outros.
—Como se lê esta palavra, Gabriel? dizes-me?—pedia-lhe de uma vez o
João do moleiro.
—Soletra lá.
E principiou o outro:
—P-h-i, pi.
—Qual pi! Tambem eu cuidava! P-h-i, fi—emendou o Gabriel.
—Fi!—exclamou o João,—Fi! Pêta! Tu enganas-me, Gabriel.
—Não engano, João; lê fi, que foi como me ensinou o sr. abbade.