Apenas o João do moleiro disse a palavra, levantou-se o Gabriel do seu logar e declarou com a voz serena e com as lagrimas a saltarem-lhe dos olhos:

—Snr. mestre, quem ensinou a dizer assim ao João do moleiro fui eu.

Oh! que escandalo, Santo Deus! O mestre ergueu-se de golpe. Os discipulos tremiam como varas verdes; e os mais pequeninos até choravam! Podéra! O que iria acontecer, Nossa Senhora! O mestre ia correr tudo a bolaria, não ha duvida.

—O que é lá?—gritou o mestre Joaquim com uma voz convulsa.—O que é?

E ficou a olhar para o Gabriel, inclinando com o indicador o pavilhão da orelha direita.

—Fui eu que ensinei assim—repetiu o Gabriel assustado.

—Vem cá—chamou de afogadilho o mestre—já aqui, seu atrevido. E bateu com a palmatoria na mesa. O Gabriel poisou o livro no logar e aproximou-se.

—Aqui já.

O mestre descarregou-lhe nas mãosinhas tenras meia duzia de furiosas palmatoadas.

Foi muito bem feito! Apre! Offender a sabedoria do seu mestre!