No dia em que chegava a mala do Brazil, iam as mulheres da Izabellinha pedir ao Thomé boticario, que deixasse ir o filho ao correio para lhes lêr as cartas.

Se não havia freguezes a aviar, o pae mandava-o, e o Andrésinho partia alegre, porque gostava da brincadeira.

Era lindo vêr aquelle quadro!

O rapaz sentava-se no espigão d'um muro baixo, á sombra d'um sobreiro. Em volta d'elle, mulheres e homens apinhados, com as bôccas abertas, escutavam-no com religioso silencio.

O filho do boticario ia lendo uma por uma, muito vagarosamente, as cartas que lhe entregavam.

Não havia segredos para ninguem.

Como o rapaz lia d'alto e bom som ouviam todos as cartas uns dos outros, como se fossem uma só familia. E alguma noticia triste ou noticia alegre era egualmente sentida e commentada por todo o auditorio.

A tia Anna, como já lhe custava a andar, chegava no fim de todas.

Cediam-lhe logo passagem.

—Deixae, que eu tenho tempo—dizia ella, com a carta do filho apertada na mão.