—Subam lá cima com este senhor, que eu espero-os aqui. Não si démorem, hein?

A tia Anna seguida do homem subiram a uma sala do primeiro andar. Sobre um canapé de palhinha estava estendido um casaco preto, um par de calças, um par de botas e um chapéo alto de seda. Ao lado havia um vestido de seda preta com folhos, um chale de cachemira, uns sapatos de duraque, um chapéo de velludo carmezim com flores amarellas e plumas brancas.

Entrou na sala uma criada velha das manas do Nogueira, tomou nos braços o vestido de seda, o chapéo, o chale e os sapatos, e pediu á tia Anna que a seguisse ao gabinete proximo.

O caixeiro da loja ficou só com o lavrador. Disse-lhe que mudasse o fato d'aldeão que trajava e o substituisse por aquelle que via ali.

—Mas… oppoz timidamente o pobre do homem.

—Eu ajudo-o, eu ajudo-o. Ande depressa.

E, á pressa, atabalhoadamente, tirou-lhe a niza, o collete amarello e as calças de saragoça.

Quando o homem se sentou n'uma cadeira para enfiar o canno das botas, cahiam-lhe da testa bagas de suor copioso.

Estava afflicto, quasi apopletico, com o laço da gravata a apertar-lhe a garganta, como a corda d'um enforcado.

Aquelle casaco pesava-lhe nos hombros como uma armadura d'aço de D. João
II.