Eu, então, gostava immenso de ver a pequenada assim, a correr, a saltar, a rir ás gargalhadas, escalando os muros, invadindo os campos, como uma horda de vandalos terriveis. Só me custava ver, no tempo defeso, quando elles trepavam pelos castanheiros, para ir lá cima roubar entre os ramos as ninhadas dos passarinhos.
Assim que chegava o mez do S. João aquella enorme figueira do passal apparecia toda carregada. E os ramos que ficavam eminentes sobre o cunhal do muro, até vergavam para fóra, para o lado do atalho, com o peso dos figos!
Era um fartote para os pequenos!
O mais dextro marinhava pelas fendas do muro, escachava-se n'um galho mais consistente da arvore, e de lá ia atirando para baixo os figos maduros, a que podia chegar.
E o bonito era ver o abbade, o bom velho do abbade, que desatava a rir muito satisfeito, quando a criada lhe referia indignada o assalto dos pequenos.
—Coitaditos!—dizia elle—Ó Anna, quem me cassára a mim no tempo em que eu fazia o mesmo ás macieiras do parocho da minha terra!
De uma vez que os surprehendi na figueira do passal, lembrei-me com saudade de um assalto que eu dei tambem—vae isso ha um bom par d'annos!—a uma cerejeira…
Eu conto a historia:
* * * * *
Já me pennujava o buço; e como tinha a vida menos canceirosa e o sangue na guelra, dei em frequentar os theatros e em lêr romances! Foi a minha perdição! Por um capricho da sorte, quasi todos os romances falavam de janotas que se perdiam de amor por actrizes. De uma vez até se me deparou um dialogo entre Alexandre Dumas e outro escriptor francez. Dizia assim: