—Parece incrivel, Alexandre, que em Pariz andem cincoenta rapazes doidos d'amor por actrizes.
—Parece incrivel—oppôz o Papá Dumas, que era peccadoraço vezeiro n'este particular—que haja cincoenta que o não estejam!
Vão lá dizer-nos que tudo aquillo é ficção!
A gente principia a lêr romances e tem logo vontade de realisar na vida o que elles nos referem. Todos queremos ser Antonys, Werthers, Camors, Armandos…
Nos bastidores do theatro Baquet levantei eu o altar para o sacrificio do meu coração. Principiei a entabolar relações com os actores comicos,—que a gente se persuade estão sempre a rir, e que, por via de regra, são os mais sorumbaticos cá por fóra,—depois com os tyrannos e os galãs. Era isto indispensavel a um noviço, que, mais tarde, tivesse de cahir apaixonado aos pés mimosos de qualquer actriz sentimental.
Eu então tinha gosto e geito para o namoro—diziam-me os amigos! E esta fama veio de me ouvirem improvisar um madrigal á mais gentil e talentosa actriz d'esse tempo.
Estava eu á porta do camarim do Dias, que tem um filho chamado Josué. Como durante o espectaculo a actriz não tivesse correspondido á impertinencia dos meus olhares frechados por um binoculo, quando ella passou, voltei-lhe as costas e não a cumprimentei. Vejam que despeito!
Chegou-se ella ao pequenito, acariciou-o, e disse-lhe, a sorrir:
—Tu não voltas a cara á gente, não Josué?
E fitou-me com ar insinuante.