—Este Josué—accudi eu, soprando uma espiral de fumo do charuto—parece-se agora com o Josué da Biblia.
—Porquê?—perguntou Dias.
—Faz parar o sol!
Explendido!
D'ahi por diante, uns sujeitos que hoje são mais felizes e mais tolos do que eu, vinham pedir-me phrases para elles improvisarem á passagem das requestadas.
Chegou de uma vez, em meado de abril, uma companhia de zarzuella.
Ás primeiras damas não falava eu. Qual! Essas, via-as eu passar pelo braço d'uns figurões de bigodes espessos e suissas grisalhas, cabellos lustrosos puxados para as temporas, com ares serios e graves de diplomatas.
Eu só conhecia as comparsas, as que faziam de soldados rasos na Marina, de nymphas no Joven Telemaco, de camponezas na Catalina, e que no Relampago dançavam o tango, vestidas d'encarnado, com os rostos farruscados a fingirem pretos!
D'entre ellas havia uma, a Consuelo, que era muito formosa, muito elegante, e que eu preferia ás outras. Ainda me parece que a vejo, quando ella passava no meio dos adoradôres, saracoteando os quadris, o peito ancho, o tronco descahido para traz, na cintura, e a cabeça levantada e oscillante, como a cabeça esbelta d'um cavallo andaluz. Tinha os olhos pretos, humidos e azougados, que é como o povo diz d'uns olhos que teem a sclerotica levemente azulada, os labios côr de cereja, um pescôço de garça, como o dos retratos da Marie Antoinette, e um pé tão pequenino, gracioso e arqueado, que inspirava desejos de lhe dizer com o nosso Padre Manoel Bernardes: «Dá-me limpeza grande nos meus labios para calçar teus pésinhos de mil osculos santos!»
Ás vezes, tinha momentos de uma tal melancolia, de tão profunda magua, que me deu vontade de lhe saber a causa. Encontrei-a uma noite de beneficio, sósinha, a cantar a meia voz esta seguidilha: