E, depois, agachado no cairel, media com o cabo da enxada a profundidade da cova, proseguindo alegremente:
/*
Se o coveiro aqui passa,
Vae pôr-lh'os na sepultura.
*/
Metteu a pá da enxada na leiva de terra, que lhe ficava ao lado, transpoz o comoro de outras sepulturas, e parou junto de um esquife pobre, de pau, sem fôrro, com os symbolos da morte pintados d'amarello.
Arrastou-o com esforço para a bôca da valla, escancarou as tampas; e, ao dar com o rosto do cadaver, exclamou de si para si:
—Ora espera! Eu conheço esta rapariga!
Entreabriu os labios com a unha do dedo polegar, concentrou-se um instante a meditar com os olhos fechados; e, por fim, continuou compadecido:
—Ah! És a Rosita do tecelão!
Á medida que retirava com geitosa piedade o cadaver do esquife, lamentava:
—Pobre rapariga! Eu logo vi que te não delatavas atraz da filha!
Depois, o resto foi rapido e breve.