Rosa não respondia, porque os soluços, que lhe estalavam o peito, lhe embargavam a voz.
A Isabelinha então, já com a vista turva, e a bocca entreaberta, lançou os braços ao pescoço da mãe, para a achegar mais de si, estremeceu da derradeira convulsão e… expirou!
Ao cabo de um mez, durante o qual o padecimento de Rosa fôra horrivel, o mesmo coveiro que enterrou a filha, abriu ao lado outra cova para receber a mãe.
* * * * *
O rosto d'aquella mulher, magro, livido, macerado, tinha a impressão indelevel das torturas por que passára. Não havia n'elle as contorsões da agonia dos delinquentes, que morrem convulsionados pelo terror de um castigo eterno. O derradeiro alento entreabriu-lhe nos labios um sorriso de bemaventurança!
É como ficam as creaturas, santificadas pelo martyrio, e que esperam na morte a hora do seu resgate!
E quem diria—pobre creança!—que tinhas apenas vinte e cinco annos, e que foste formosa, e que te julgaste feliz no dia em que poisaste pela vez primeira os labios convulsos de alegria na face côr de rosa de tua filha!?
E saber-se que o martyriologio é com certeza o unico elogio funebre de tantas desgraçadas como Rosa!
E Benjamim?
Benjamim, aquelle homem que seduziu impunemente uma mulher e que matou impunemente a filha, prosegue inflexivel na vida crapulosa, dominado pelo vicio da embriaguez, em que tem perdido, pouco a pouco, o vigor e a vida de todas as faculdades, a saude, a honra e a propria dignidade de um ser humano!