—Tão rico, o sr. Torres, e anda que nem um pobre de pedir!
O Torres era um celibatario, egoista, magro, esguio, nariz adunco, olhos pequeninos e vivos como os de uma ave de rapina!
Depois da invernia, a primeira vez que se chegou o mez da renda é que era vêr o Torres!
Entrou a tia Custodia, levando o netinho pela mão. Expoz ao senhorio a sua desgraça, pedindo-lhe que por essa vez lhe perdoasse ou diminuisse a renda.
—Adeus, minhas encommendas!—exclamava o avarento—De cantigas não como eu! Se vocemecê não quizer, não falta por lá quem me amanhe as terras.
Para encurtar razões, a pobre mulhersinha saccou da algibeira um embrulho, e entregou-o ao Torres. Eram dois pares de arrecadas e um grilhão de ouro.
—Só o cordão, meu senhor,—dizia a caseira—tem quatro moedas!
O Torres observou o ouro, sopesou-o na mão; e, fechando-o n'uma gaveta, disse:
—Pois bem! Quando me trouxer a renda, levará o penhor. Adeus! até ao verão.
Depois que a Custodia saiu, um visinho tendeiro dizia contristado: