—Isso para que é, tio Euzebio?—perguntou-lhe o outro ao ouvido.

—Vou matal-os!—respondeu o moleiro com uma voz convulsa.—Vou matal-os!

Mas quando ia, com a espingarda ao hombro, a transpôr a soleira da porta, cambaleou, e cahiu fulminado para a outra banda…

Na madrugada do dia seguinte, um moço de lavoura chegou afflicto a casa, a esbofar, dizendo que, pouco abaixo da azenha, vira um corpo de mulher levado na corrente do rio, a fugir, a fugir!…

* * * * *

Ainda conheci, ha muitos annos, o pae de Margarida.

Era por uma formosa manhã de abril.

O velho estava fóra da azenha, sentado n'uma cadeira de entrevado, com os pés estendidos a uma restea de sol. Em volta d'elle, chilreavam os passarinhos na ramaria frondente do arvoredo.

Referia-me, ao certo, a morte do Simão e do seu amigo Euzebio; e, depois, quando chegava ao lance de ter perdido a filha, voltava a cabeça para o rio, e perguntava baixo, de si para si:

—E a Margarida?!…