E viu-se que um dos feridos, que ia reclinado, deixou pender a cabeça sobre o peito, e descahir um braço fóra do carro.

Os artilheiros que levavam pela camba dos freios os cavallos insoffridos, voltaram-se para uma formosa rapariga que os interrogava afflicta. O retinir das molas da carreta, rodando nas lagens irregulares de uma vereda, não os deixou ouvir. Mas, de repente, a moça aproximou-se mais de um carro, pegou no braço que bambaleava, estendido fóra da ambulancia, á mercê dos solavancos, reparou attentamente n'um annel que o morto levava, e principiou a gritar:

—O Simão! Morreu! morreu!

E debatia-se angustiada nos braços das amigas que a seguravam.

Quando um visinho entrou na azenha do Euzebio, para lhe dar a noticia da morte do filho, encontrou o moleiro sentado na ilharga da cama, a resar, com os olhos postos n'um crucifixo, e um rosarío entre os dedos.

—Rese-lhe por alma!—disse o visinho a chorar.

O velhote, que estava muito mais surdo, ergueu-se, e perguntou espantado:

—O que é?—e applicou os quatro dedos da mão direita ao ouvido correspondente.

—Morreu!—gritou-lhe o outro.

O Euzebio empallideceu subitamente, aprumou-se, fitou os olhos no visinho; e, sem pestanejar, dirigiu-se apressadamente á cabeceira da cama, e tirou detraz uma espingarda.