—E é moça de tino,—proseguiu o padre circumspectamente,—mas tem-me cuidado n'ella, que olha o demo, José, quando as arma, escolhe sempre do melhor, ouviste?

Mais adiante, ao passarem por um quinchoso, a cujo muro estava debruçada uma rapariga esguedelhada, com os braços pendentes para fóra, perguntou-lhe o abbade:

—Que é de teu pae, ó cachópa?

—Está a trabalhar nas obras do rio, sr. abbade,—respondeu ella córando.

O abbade esporeou a egua, e disse para si:

—Elle é bem melhor ganhar o pão ao pé da porta, lá isso não tem duvida.

—Pois quant'é!—concordou o moleiro, acenando affirmativamente a cabeça.

E continuaram ambos pela estrada, até a uma cangosta, por onde o abbade metteu, deixando só o José moleiro.

O caminho agora descia, até ao rio, onde andavam as obras da ponte nova.
Já de longe se avistavam os trabalhadores.

Havia ali um grande movimento de gente. Por entre o tronco nú dos salgueiros, viam-se já as primeiras pedras do arco, subindo pelo simples de madeira, que se levantava d'uma á outra margem.